
Com aquele sorriso de baunilha no rosto
As mãos amassadas de serpentinas
O rosto colado no meu
Vou te lembrar talvez daquele nosso jeito de andar no campo
Tomar sol aos sábados
Vou te lembrar das minhas mãos coçando
Dos meus panos indianos cobrindo o corpo
Em tarde de julho
Com frio no rosto
E você beijando...
Vou marcar um encontro, lhe dizer o futuro
Parar no semáforo, olhar nos teus olhos
Acelar
Talvez a felicidade morasse ali...
Vou lhe apresentar quem sabe um espelho amassado
Passados velozes
Futuros improváveis
Vou limpar minha boca
Na montanha-russa
Da nossa historia
Quem sabe a felicidade morasse ali...
Me diz um livro-romance
Um caderno soturno
Diz outras liturgias
Momentos maduros
Mágicos e herméticos guardados nos poros
Imundos, mudos, paralíticos
Vou cantar um hino de repente, para lhe sacramentar o corpo
Amanhecendo com outras almas
Em revelias poéticas na beira da estrada
Quem sabe a felicidade morasse em mim.
David Cejkinski