
Eu que tudo posso
Vou mergulhar nos sete dias, alguns destroços.
Porque era preciso
Olhar o céu e perguntar o motivo do calendário lunar
E sua pele?
Salgada, árida, justa...
Meio São Paulo gasto de beira-mar
Hoje, sete noites virão manchas, sete cicatrizes virão arte.
Hoje, vou destroçar talvez a paz.
Abrir um buraco grande na parede e não atravessar
Não vou abrir suas cartas postadas de outras galáxias, não vou mais...
Em outros tempos jaz petulância ancestral
Em outros tempos visto outras roupas, terremotos.
Pessoas desfilam solidão em faixas de pedestre
Pessoas confessam sete pecados em mesas de bar
Sou um oráculo mal seguido
Sou de tanta luta um verdadeiro abrigo
Para se esconder em dia chuvoso
Se aconchegar em um cobertor inseguro
Que nada sabe
E mergulhar pelado em céu de concreto
Sete vezes tornarei deserto
E vou cobrir meu corpo de areia e sal
Me oferecer a um santo
Que não a você
Para rezar em outros altares
Pedir em sintonia plena outras vontades
Hoje, serei por um curto espaço de tempo: feliz.
David Cejkinski